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quarta-feira, 13 de março de 2013

quarta-feira, 14 de março de 2012

14 DE MARÇO - DIA NACIONAL DA POESIA


No dia 14 de março comemora-se o Dia Nacional da Poesia. A data é uma homenagem ao nascimento do escritor baiano Castro Alves.

Para lembrar esta data postamos poesias de alguns poetas brasileiros.

A DUAS FLORES

São duas flores unidas,
São duas rosas nascidas
Talvez no mesmo arrebol,
Vivendo no mesmo galho,
Da mesma gota de orvalho,
Do mesmo raio de sol.


Unidas, bem como as penas
Das duas asas pequenas
De um passarinho do céu...
Como um casal de rolinhas,
Como a tribo de andorinhas
Da tarde no frouxo véu.


Unidas, bem como os prantos,
Que em parelha descem tantos
Das profundezas do olhar...
Como o suspiro e o desgosto,
Como as covinhas do rosto,
Como as estrelas do mar.


Unidas... Ai quem pudera
Numa eterna primavera
Viver, qual vive esta flor.
Juntar as rosas da vida
Na rama verde e florida,
Na verde rama do amor!

Castro Alves




O poeta Antônio Frederico de Castro Alves nasceu na cidade de Curralinho/BA, no dia 14 de março de 1847. Faleceu em Salvador/BA, em 6 de julho de 1871.





A MORINGA

Entre sedes e cansaços
a moringa se reparte,
doando-se em água fresca,
para que os homens se fartem.

No peitoril da janela,
sobre o pinto carcomido,
repousa ao vento da tarde.
Longe, o roçado de milho.

Há marcas fundas na argila,
invisíveis a olho nu.
São cicatrizes de fístulas
abertas no barro cru,

Marcas de sangue e de lágrimas
e suor de gerações,
que, nascidas na miséria,
na miséria morrerão.

A mão que molda a moringa,
molda panela, alguidar,
até que a Morte a liberte
desse ofício de moldar.

Deífilo Gurgel




Natural do município de Areia Branca, Deífilo Gurgel chegou a Natal, em 1944, com 18 anos de idade, para cursar o colegial. Folclorista, poeta, pesquisador, professor e escritor. Faleceu em 06/02/2012



APRENDIZADO

 
Do mesmo modo que te abriste à alegria
           abre-te agora ao sofrimento
           que é fruto dela
           e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
           que da alegria foste
                                    ao fundo
           e te perdeste nela
                                    e te achaste
                                    nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
                                    e em tua carne vaporize
                                    toda ilusão

que a vida só consome
o que a alimenta. 
                                                      Ferreira Gullar

Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de setembro de 1930) é poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo



MOTIVO

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno e asa ritmada.
E sei que um dia estarei mudo:
- mais nada

Cecília Meireles


Poetisa, pintora, jornalista e professora, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca, Rio de Janeiro.  Falece no Rio de Janeiro em 9 de novembro de 1964.





POETAS VELHOS

Bom dia, poetas velhos.
Me deixem na boca
o gosto dos versos
mais fortes que não farei.

Dia vai vir que os saiba
tão bem que vos cite
como quem tê-los
um tanto feito também,
acredite.

                                                    Paulo Leminski


Escritor, tradutor, poeta, e professor. Nasceu em 24 de agosto 1944, em Curitiba, Paraná. Faleceu em 07 de junho 1989 (Curitiba, PR).



ELEGIA
 
Não retornei aos caminhos
que me trouxeram do mar.
Sinto-me brancos desertos
onde as dunas me abrasando
tarjam meus olhos de sal
dum pranto nunca chorado,
dum terror que nunca vi.
 
Vivo hoje areias ardentes
sonhando praias perdidas
com levianos marujos
brincando de se afogar,
com rochedos e enseadas
sentindo afagos do mar.
 
Tudo perdi no retorno,
tudo ficou lá no mar:
arrancaram-me das ondas
onde nasci a vagar,
desmancharam meus caminhos
- os inventados no mar:
depois, secaram meus braços
para eu não mais velejar.
 
Meus pensamentos de espumas,
meus peixes e meu luar,
de tudo fui despojada
(até das fúrias do mar)
porque já não sou areias,
areias soltas de mar.
Transformaram-me em desertos,
ouço meus dedos gritando
vejo-me rouca de sede
das leves águas do mar.
 
Nem descubro mais caminhos,
já nem sei também remar:
morreram meus marinheiros,
minha alma, deixei no mar.
 
Pudessem meus olhos vagos
ser ostras, rochas, luar,
ficariam como as algas
morando sempre no mar.
 
Que amargura em ser desertos!
Meu rosto a queimar, queimar,
Meus olhos se desmanchando
- roubados foram do mar.
No infinito me consumo:
acaba-se o pensamento.
No navegante que fui
sinto a vida se calar.
 
Meus antigos horizontes,
navios meus destroçados,
meus mares de navegar,
levai-me desses desertos,
deitai-me nas ondas mansas,
plantai meu corpo no mar.
Lá, viverei como as brisas.
Lá, serei pura como o ar.
Nunca serei nessas terras,
Que só existo no mar.

Zila Mamede

Poetisa e bibliotecária, Zila nasceu em 1928, em Nova Palmeira, Paraíba. Mudou-se com a família para Currais Novos (RN), ainda pequena. Faleceu em 1985.






POEMA DE SETE FACES

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

 Carlos Drummond de Andrade

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira, Minas Gerais, em 31 de outubro de 1902. Faleceu no Rio de Janeiro, 17 de agosto de 1987. Foi poeta, contista e cronista.

 
FENECER

Feneço na ausência
dos homens cor de bronze
do prepúcio de púrpura.

Quem me lapidou
esqueceu de me tirar
o veneno.

Ateio
fogo na minha própria
teia.

Como quem preserva fortalezas
corto minhas / alheias
veias.

Feneço, infinitamente
na presença dos homens
que têm grandes pés e nenhuma fé.
Que me rasgam a carne
e me sepultam em suas glandes.

Não fosse eu
uma pessoa de múltiplos escudos
viveria a vida toda
como um único vestido
de veludo. 

                                                  Marize de Castro



Poeta, jornalista, editora, Marize Lima de Castro nasceu em Natal (RN), em 28.12.1962.





                      Arnaldo Antunes

                                                       FOTO: VALDECI DE OLIVEIRA

Arnaldo Antunes nasceu em São Paulo no dia 2 de setembro de 1960. É músico, poeta, compositor, vj e artista visual.

segunda-feira, 12 de março de 2012

DIA NACIONAL DA POESIA

Os grupos musicais Clara e a Noite, PeduBreu, Folia de Rua Potiguar e Carcará na Viagem fazem parte da Rede Potiguar de Música e vão comemorar o Dia Nacional da Poesia - 14 de Março, na programação abaixo.



(ENVIADO POR: REDE POTIGUAR DE MÚSICA)

DIA NACIONAL DA POESIA

Dia 14.03 no AUDITÓRIO da ANTIGA ESCOLA TÉCNICA FEDERAL, hoje IFRN, na HERMES DA FONSECA, em frente ao MIDWAY, KHRYSTAL canta numa data em que se comemora DUPLAMENTE o DIA DA MULHER (08.03) e o DIA DA POESIA. A entrada é GRÁTIS. Coisa de 18hs.

                         (ENVIADO POR ZÉ DIAS)

domingo, 20 de novembro de 2011

TELENOVELA, POESIA E EDUCAÇÃO FORAM OS TEMAS DA ÚLTIMA NOITE DO FLIPIPA


A última noite do FLIPIPA - Festival de Literatura da Pipa, que aconteceu no sábado (19) foi a mais extensa, com quatro mesas. 

Na primeira, o tema foi telenovela e literatura. A convidada para falar sobre o assunto foi a escritora, roteirista, bacharel em Letras e mestre em Literatura pela USP, Thelma Guedes, que juntamente com Duca Rachid escreveu a telenovela Cordel Encantado, sucesso recente da Rede Globo.  
THELMA GUEDES, MÁRCIA VELTRINI E HEVERTON DE FREITAS



THELMA GUEDES

Para conversar com Thelma estavam presentes, a psicóloga clínica, especialista em Psicologia Analítica (Junguiana), Márcia C. Veltrini e o jornalista Heverton de Freitas.

A autora de Cordel Encantado, falou de todo o processo de criação da novela, desde a sinopse até a exibição na telinha, passando pela escolha de músicas e figurinos e atores. Ainda fez questão de desmentir as tão propaladas imposições a que a Rede Globo submete seus contratados, não os deixando trabalhar à vontade.

CARLITO AZEVEDO E ANA DE SANTANA

CARLITO AZEVEDO

A poesia foi o tema central das duas mesas subsequentes. A primeira mesa “Poesia: modo de sentir” trouxe ao palco do Flipipa o poeta, crítico, tradutor e editor carioca, Carlito Azevedo, que na companhia da poeta Ana de Santana, mestra e doutora da UFRN, professora e pesquisadora do IFESP e UNP discutiram a respeito da poesia do convidado. Carlito, além de falar sobre seu trabalho, também recitou alguns de seus poemas de maneira bastante peculiar, num ritmo célere, que o deixava quase sem fôlego ao final de cada récita.

EUCANAÃ FERRAZ E JOÃO BATISTA DE MORAIS NETO 
EUCANAÃ FERRAZ
Na segunda mesa o bate-papo foi entre o poeta e professor da UFRJ, Eucanaã Ferraz e o também, poeta e professor do IFRN e UFRN, João Batista de Morais Neto, conhecido como João da Rua. Ferraz, muito tranquilo e bastante extrovertido tomou conta da cena. Expôs seu trabalho brilhantemente, recitou alguns de seus poemas e ainda, chamou a atenção para o trabalho da escritora polonesa Wisława Szymborska, a quem teceu grandes elogios.

RUBENS FIGUEIREDO E CARLOS FIALHO
RUBENS FIGUEIREDO
Os trabalhos na Tenda dos Autores, não poderiam ter sido encerrados tão maravilhosamente. O convidado foi o vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura 2011, com a obra “Passageiro do Fim do Dia”, o professor de português, tradutor e escritor Rubens Figueiredo, que foi “entrevistado” pelo escritor Carlos Fialho. Apesar da timidez, Rubens respondeu às perguntas do seu interlocutor de maneira inteligente e objetiva. O que chamou atenção em Rubens foi o amor à sua outra profissão, professor. Nos dias de hoje em que poucos querem exercer tal profissão e muitos que a exercem fazem questão de escondê-la. 

EURÍDICE E RUBENS FIGUEIREDO

Na tenda dos autógrafos, em conversa com Eurídice, relatou: “Vou ser professor até ficar bem velhinho, não vou deixar nunca.”


DÁCIO GALVÃO
Enfim, acabou mais um FLIPIPA, foi excelente, Dácio Galvão e seus colaboradores estão de parabéns. O Festival está consolidado, já faz parte do calendário dos grandes eventos do Estado, agora só resta esperar até o próximo ano.

FOTOS: VALDECI DE OLIVEIRA